Sobre

A Co.lab (Colírio Laboratório) se configura como um espaço de pesquisa-prática de processos filmícos. A principal questão que ativa o grupo é a manutenção e a prática experimental relativa ao filme analógico (argênteo), aos processos não convencionais e em rede de produção e  possibilidade da reinserção social do artista.

A existência do laboratório também é a afirmação da questão política inscrita na prática artística contemporânea. Num contexto do semio-capitalismo de profunda precarização de todas as esferas do trabalho, da diluição das fronteiras entre ambientes de trabalho e de lazer, do tempo-livre e do tempo de trabalho é patente a conseqüente alienação que se submetem os trabalhadores culturais como um todo e os artistas em particular. Formadores de um novo campo no qual se fundem autos níveis de competitividade, com largas jornadas de trabalho orientadas por uma forte auto-exploração, o funcionamento estético e o regime produtivo empregado na produção se vê, muitas vezes, imbricada em processos e técnicas ligadas a um automatismo cognitivo com profundos efeitos na percepção, imaginação e no desejo.

No atual escasseamento acesso ao material fílmico, de fechamento e falência de importantes laboratórios, o conhecimento e controle dos processos relativos ao filme por artistas/cineastas que desejam trabalhar com este material se faz necessário. Ao contrário do tom alarmante que o quadro de falências poderia sugerir é possível uma compreensão de que há uma nova oportunidade emergindo que seria a de explorar e pesquisar as possibilidades do material analógico (filme) liberado das finalidades comerciais que marcaram sua história.

Se apropriar deste conhecimento é buscar subsídios para refletir sobre a história da arte e das técnicas gerando uma autonomia, ou ao menos, diferentes opções ao que as novas tecnologias propõe de maneira compulsiva. Pois se “cada meio tem sua forma e seu espectro” o pensamento sendo também matéria-energía emergeria da sua relação com as diferentes materialidades. “Sabemos que não há um pensamento em si, um pensamento abstrato. Para realizar um pensamento é necessário ter um material e é necessário permanecer neste material e em cada material poder exprimir novas e outras coisas, que são intraduzíveis”.

A idéia de ter um grupo organizado – Co.lab – é dar espaço para a vazão de parceiras entre as  artistas/cineastas do grupo, de transferências de saberes técnicos mas também é a abertura de um laço de criação e distribuição de materiais entre a rede de laboratórios da América Latina, Asia, Oceania e Europa com o Brasil em particular. Em suma, o Col.ab contribui para o exercício e pensamento da atividade artística como ato coletivo. Uma rede autônoma de trabalhadores do campo cultural traz latente emergência uma nova subjetividade política, responsável pela transmutação dos valores do campo, bem como das materialidades impostas pelo regime de obsolescência programada em vigor.

 

Contato:  co.lab.brazil at gmail.com

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